IV COPENE NORDESTE 2023 – O aquilombamento de vozes que reverberam pesquisa, poesia e (re)existência

NATHÁLIA MARIA LOPES DIAS
FRANCISNILTO DOS SANTOS NASCIMENTO
MICAELI RODRIGUES DE CARVALHO
NARA CHRISTINNA DA SILVA FONTINELE

RESUMO

O artiga explora as complexidades que permeiam a insubmissão de intelectualidades negras, focalizando na interseccionalidade entre gênero, raça e classe como um fator central. Destaca- se que a combinação tríplice dessas dimensões contribui para a visão equivocada de que pessoas negras não se inserem no universo do conhecimento científico e literário. No contexto da produção acadêmica, o artigo referencia a quarta onda do feminismo, conforme definido por Heloisa Buarque de Hollanda, que busca transcender as fronteiras acadêmicas e se manifestar em diversas formas, incluindo poesia, artes, música e cinema. No entanto, destaca-se a ambiguidade inerente ao “nós” feminista, conforme abordado por Judith Butler, que, ao buscar representar coletividade, pode inadvertidamente excluir algumas vozes historicamente silenciadas. Além disso, o artigo explora o COPENE – Congresso de Pesquisadores (as) Negros (as) – como um espaço crucial de luta e resistência, promovendo a representatividade e equidade no âmbito acadêmico brasileiro. Destaca-se ainda a importância da luta por equidade, representatividade e valorização cultural, utilizando o COPENE como um exemplo inspirador de como a união de vozes diversas pode contribuir para a transformação social, visando à construção de um futuro mais inclusivo e justo.

Palavras-chaves: COPENE; Vozes Negras; Resistência.

INTRODUÇÃO

Uma das estruturas que fortalecem o estado de insubmissão de intelectualidades negras, especialmente no que tange à produção de conhecimento científico e literário, é o sistema interseccional entre gênero, raça e classe. Nesse viés, compreende-se que essa combinação tríplice arca com uma visão de que pessoas pretas não produzem conhecimento científico. Nesse contexto, se considerarmos o perfil feminino no tocante à produção acadêmica, por exemplo, os prejuízos são ainda mais avassaladores. A chamada quarta onda do feminismo, definida por Heloisa Buarque de Hollanda (2018) como um movimento ativista que transcende as universidades e toma as ruas, promove discussões que abordam novas formas de feminismo: os feminismos da diferença, os feminismos na poesia, nas artes, na música, no teatro, no cinema, nas escolas, nas faculdades e em diversos espaços dominados por mulheres. A quarta onda feminista busca reavaliar os lugares de fala e analisar o sentido coletivo. Contudo, o “nós” feminista é uma construção fantasiosa que busca representar a coletividade, mas, ao mesmo tempo, exclui parte dessa clientela. (BUTLER, 2017, p. 245). Nessa perspectiva, essas vozes feministas, historicamente silenciadas, ressoam em poesias que reivindicam espaços de expressão que, por muito tempo, foram negado às mulheres.

Veloso, Andrade e Condorelli (2020) pontuam que precisamos enxergar através das lentes da racialização o porquê de vozes negras serem silenciadas ao longo da história. Assim, entende-se que esse apagamento pode ser entendido, na verdade, como reflexo de uma sociedade que marca relações sociais de poder através do patriarcado, racismo e divisões de classes.

Nesse contexto, conforme Mendes (2023), a partir de movimentos epistemológicos que abraçam corpos negros, tornam-se possível outras formas hermenêuticas de interpretar o mundo e, assim, transformá-lo de modo a desconstruir opressões seculares, levando em consideração a união coletiva. Desse modo, o COPENE – Congresso de Pesquisadores (as) Negros (as) – é um exemplo de movimentos importantes que abraçam em grande escala o coletivo de produtores negros de saberes. Nesse contexto, a poesia comporta-se como um mecanismo de luta e resistência também uma vez que a arte pode ser vista com viés emancipatório.

A POESIA COMO CORPO-INSUBMISSÃO

 Transformações na sociedade, como políticas, econômicas e culturais, influenciam a escolha de temas na literatura, como a configuração das cidades, movimentos de classes e contracultura. O corpo na literatura abrange discussões sobre liberdade, ética, estética, sexualidade, medicina e direito. Ao longo da história, o corpo adquiriu múltiplas dimensões, refletindo diferenciações em diversas áreas do conhecimento. O corpo é um espaço de memória individual e coletiva transmitida entre gerações. Ele se revela como um ponto de interseção das dominações de classe, gênero e raça, mas também como um espaço de resistência.

Nesse viés, Rosi Braidotti (1994) realizou diversos estudos abordando a relação entre o corpo e o feminino. Em sua perspectiva, elementos como a corporeidade, a sexualidade, a memória e a imaginação são fundamentais para a emergência da subjetividade política. O conhecimento feminista, segundo ela, é um processo interativo que revela aspectos da existência, especialmente as conexões com o poder que antes passavam despercebidas. Esse conhecimento nos leva a um terreno desconhecido, nos desestabiliza, nos afasta do familiar e nos lança para o estranho. A noção de ‘feminino’, abordada através da lente da diferença sexual, não é uma essência fixa, mas sim um projeto político que busca transcender a posição tradicional da Mulher como o Outro do Mesmo, buscando expressá-la como o outro múltiplo do Outro, conforme proposto pela teórica.

O corpo, por um lado, não se submete inteiramente às normas sociais, permitindo brechas para a subversão da identidade. Por outro lado, o corpo ancora o sujeito no mundo, possibilitando a percepção do espaço. Discursos e representações do corpo refletem transformações históricas, revelando relações entre subjetividade, objetividade, submissão e resistência. Imagens do corpo são uma lente para analisar a história, cultura e literatura, sendo a literatura um campo rico em representações do corpo, seja repetindo ou subvertendo estruturas. Dessa forma, a metáfora “o corpo escrito/a escrita do corpo” permeia análises da relação entre corpo e literatura o que nos permite inferir que, no século XXI, somos herdeiros culturais desse legado, reconhecendo o corpo como um ponto de conexão entre passado e futuro, profano e sagrado.

No cenário poético, por sua vez, é lícito pontuar que a poesia atua como um corpo carregado de simbologias e significados, especialmente no universo de vozes poéticas negras. Nesse viés, Paulina Chiziane (2013) sustenta que o mundo das mulheres, por exemplo, sempre foi caracterizado pela luta e resistência.

Ainda hoje a sociedade moderna considera os artistas como seus membros marginais. Ser mulher e ser artista torna-se um verdadeiro escândalo. Escândalo que tive que arriscar e suportar. Nesta sociedade a mulher só pode falar de amor e sexo com outras mulheres e também em segredo. Falar em voz alta é tabu, é imoral, é feio. (CHIZIANE, 2013, p. 12)

O depoimento proferido por Paulina Chiziane, escritora moçambicana, reforça a concepção de que  as autoras desempenham um papel fundamental ao inserir o discurso feminino em textos literários produzidos por mulheres, uma abordagem estética e ideológica ainda frequentemente marginalizada em nações onde o patriarcado machista é preponderante, especialmente em decorrência da influência histórica da colonização portuguesa. Essa situação se agrava quando o cânone literário, em grande parte, é dominado por obras escritas por homens.

Por outra vertente, pesquisadores negros, ainda que inseridos no universo masculino, têm sua capacidade intelectual muitas vezes questionada uma vez que vivemos em sua sociedade ansiosa por embranquecer o conhecimento. Não muito raro, têm-se eventos cotidianos que visam à camuflagem da identidade étnica brasileira e que consolidam o pacto de branquitude exposto por Cida Bento (2019). A construção ideológica desse embranquecimento passa necessariamente pela classe dominante e se desdobra por todos os segmentos sociais.

Numa sociedade na qual os saberes socialmente válidos não abrem espaços para que o negro se veja a partir da perspectiva do próprio negro para assim se autodesignar capaz têm gerado situações nas quais se perpetuam exclusão e baixa autoestima. Nesse cenário, lugares onde as questões étnico-raciais são postas em evidência, especialmente ligadas à cultura e à pesquisa, validam o fortalecimento de uma identidade para o próprio exercício da cidadania.

COPENE – ESPAÇO DE LUTA E (RE)EXISTÊNCIA

 Quando se reconhece a necessidade de inserção de negros, por exemplo, no cenário literário e de pesquisa, faz-se relevante pontuar sobre a criação de espaços nos quais essas vozes possam ecoar. Nessa perspectiva, para compreendermos melhor a importância de um evento que movimenta toda uma sociedade, especialmente quando evidencia pesquisadores negros, precisamos contextualizar a trajetória do COPENE

Existem já, felizmente, movimentações densas no cenário da produção acadêmica de pesquisadores negros. Nesse viés, a ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) – é a idealizadora organizacional do Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) – COPENE; ela é uma associação sem fins lucrativos e apartidários cujo objetivo é defender a pesquisa acadêmico-científica da população afro-brasileira, com vistas à promoção da igualdade racial e ao combate ao racismo.

A primeira edição do COPENE institucionalizou-se em meados do ano de 2007, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Nordeste, tendo em vista que a ABPN sistematiza o evento em sedes divididas regionalmente; a saber, as regiões brasileiras Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul são aclamadas pelas edições bienais do Congresso de Pesquisadores(as) Negros(as). Destarte, no I COPENE 2007, intitulada por “Presença Negra no Nordeste para além dos Tambores: saberes culturais e produção de conhecimento”, acarretou um desígnio de propiciar a produção e a socialização do conhecimento de perspectiva interdisciplinar acerca dos saberes tradicionais e da produção de conhecimento.

Por conseguinte, entende-se o surgimento do COPENE como um marco significativo cujo intuito se dá pela busca da representatividade e da equidade, ao promover um espaço de discussão e reflexão a partir de pesquisas, conhecimentos e questões sociais relevantes para a comunidade negra. O COPENE, ao se consolidar como um catalisador de descobertas e discussões, fomenta a interdisciplinaridade ao incentivar colaborações e abordagens integradas para os desafios contemporâneos que afetam diretamente grupos historicamente marginalizados, tornando-se um instrumento de ampliação dessas vozes.

Outrossim, precisamos pontuar que os espaços dos COPENE’s estendem-se para além dos cientistas sociais, matemáticos, políticos, afro-brasileiros; são ainda espaços que acolhem intelectualidades indígenas como também simpatizantes com a luta antirracista, uma vez que a ação transformadora que almeja a equidade necessita das pluralidades sociais.

Em 2023, o COPENE – Nordeste aconteceu em Maceió-Alagoas, entre os dias 10 e 15 de novembro, com o tema “Duas Décadas das Ações Afirmativas: o legado de Palmares e o futuro das Políticas Públicas”. A escolha de Alagoas como sede do IV COPENE NORDESTE se deu na assembleia final do III COPENE NORDESTE e, além da UFAL, a Comissão Organizadora Local do evento também será composta pela Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) e pelo Instituto Federal de Alagoas (IFAL).

Ao participarmos do evento, constatamos que as edições bienais dos COPENE’s são estruturadas a partir de conferências, simpósios temáticos, mesas-redondas, comunicação de pesquisas, painéis, feiras, lançamento de livros e intensa agenda cultural. Com a proposta também de apresentar à comunidade em geral as riquezas das culturas negras, além dos congressos nacionais, a ABPN também realiza os encontros regionais.

Vivenciar a quarta edição do COPENE Nordeste foi uma experiência transformadora e gratificante haja vista que foram muitos os momentos enriquecedores, com o compartilhamento de escrevivências de profundo impacto por estudantes, profissionais e pesquisadores de diferentes áreas. Tais perspectivas contribuíram para o fortalecimento de nosso compromisso com a pesquisa e, alicerçado nesse propósito, com a inclusão de fato.

Além disso, foi possível desfrutarmos de um momento de lazer em um dos principais pontos do evento, a Terra de Zumbi dos Palmares. A Serra da Barriga, em União dos Palmares, local símbolo de luta e resistência negra, culminou na formação dos primeiros quilombos liderados por Zumbi dos Palmares e sua esposa, Dandara; com certeza, essa exeperiência ficará eternizada em nossas memórias.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 O presente trabalho destaca a interseccionalidade como um fator determinante na perpetuação do estado de insubmissão enfrentado por intelectualidades negras na contemporaneidade. Ao explorar a quarta onda do feminismo, por exemplo, evidencia-se a busca por novas formas  de expressão e representação, que, embora busquem o coletivo feminista, enfrentam desafios na inclusão plena de vozes historicamente marginalizadas uma vez que o espaço literário está ainda ,dominado por estereótipos e valores patriarcais.

A reflexão sobre o Congresso de Pesquisadores Negros (COPENE) ressalta a importância desse evento como um espaço de luta, resistência e construção coletiva de saberes. O COPENE emerge como um catalisador significativo na busca pela representatividade e equidade, proporcionando um ambiente propício para a troca de experiências, discussões interdisciplinares e a valorização de saberes afro-brasileiros.

Ao participar do COPENE Nordeste, os autores destacam a experiência transformadora vivida no evento, enriquecida pelo compartilhamento de escrevivências e pelo fortalecimento do compromisso com a pesquisa inclusiva. A visita à Terra de Zumbi dos Palmares simbolizou, nesse contexto, a conexão entre passado e presente, reforçando a importância de preservar e celebrar as raízes culturais como elementos fundamentais na construção de identidades e na resistência contra opressões seculares.

Dessa forma, concluímos que a luta por equidade e representatividade, aliada à valorização de expressões culturais e à construção colaborativa de conhecimento, é fundamental para desafiar estruturas de poder patriarcais, racistas e classistas. O COPENE, como espaço de resistência, se torna um exemplo inspirador de como a união de vozes diversas pode contribuir para a transformação social, impulsionando a construção de um futuro mais inclusivo e justo.

Referências

BENTO, Cida. O pacto da branquitude. 1ºedição. São Paulo: Companhia das Letras, 2022

BRAIDOTTI, Rosi. “Between the no longer and the not yet: nomadic variations on the body”. No site No site http://women.it/cyberarchive/files/braidotti.htm , consultado em: 15 ago. 2023.

BUTLER, Judith P. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 13. ed. Judith Butler; tradução: Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017

CHIZIANE, Paulina. Eu, mulher… Por uma nova visão do mundo. Belo Horizonte: Nandyala, 2013.

HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Explosão feminista: arte, cultura, política e universidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

MENDES, Talita Rosetti Souza; FREITAS, Karine Aragão dos Santos. ENTRE OLHOS D’ÁGUA E INSUBMISSAS LÁGRIMAS: MÚLTIPLAS REPRESENTAÇÕES FEMININAS NA LITERATURA NEGRO-

BRASILEIRA DE CONCEIÇÃO EVARISTO. Revista de Letras Norte@mentos, [S. l.], v. 16, n. 44, 2023. DOI: 10.30681/rln.v16i44.11123. Disponível em: https://periodicos.unemat.br/index.php/norteamentos/article/view/11123. Acesso em: 30 set. 2023.

VELOSO, M. DO S. F.; ANDRADE, A. O. DE; CONDORELLI, A. Insubmissas mulheres negras: comunicação e interseccionalidade contra o epistemicídio. Esferas, n. 18, p. 6, 23 nov. 2020.

NATHÁLIA MARIA LOPES é professora Mestra do IFPI/Campus Piripiri; membro do NEABI/IFPI Campus Piripiri. E-mail: nathaliadias@ifpi.edu.br

FRANCISNILTO DOS SANTOS NASCIMENTO é graduando em Licenciatura em Matemática -IFPI/Campus Piripiri. E-mail: francisniltobruno@gmail.com

MICAELI RODRIGUES DE CARVALHO é estudante do Curso Técnico Integrado em Informática – IFPI/Campus Piripiri. E-mail: micaeli.email@gmail.com

NARA CHRISTINNA DA SILVA FONTINELE é graduanda em Letras-Português-Françês – UFPI/Campus Universitário Ministro Petrônio Portella. E-mail: narachristinna00@gmail.com

 

Ilustração | Marina Brito

 

IMAGENS ÁRCADES

Durante as aulas do mês outubro, ministradas pelo professor Adriano Lobão, os alunos de Agropecuária do Ensino Médio Integrado do campus José de Freitas prepararam ilustrações inspiradas nos ideais da poesia árcade. Seguem alguns dos trabalhos desenvolvidos pelos discentes.

Riquelme

 

Suely

 

Ana Francisca

 

Laiane
Francisco Gabriel
Josimara
Marcos Vítor
Laura
João Victor
Vitória

ADRIANO LOBÃO ARAGÃO é professor de língua portuguesa no IFPI José de Freitas

www.adrianolobao.com.br

 

HAIKAI

DANIEL GLAYDSON RIBEIRO

O cheiro do tempo
um quintal frutificando
lentamente, dentro

DANIEL GLAYDSON RIBEIRO acredita na beleza e na fúria das palavras. Inda mais se estas carregam a beleza e a fúria do Nordeste brasileiro num ritmo de sertão, chapada e mar. Mora entre Pio IX, terra do caju, e Cocal, terra do mel, tirando desta mistura a arte da dodiscência.

Ilustração: Marina Medeiros

DIA NACIONAL DE CONSERVAÇÃO DO SOLO

GILSON PORTELA

No dia 15 de abril, comemoramos o Dia Nacional da Conservação do Solo, conforme a promulgação da Lei Federal n. 7.876, de 13/11/1989. A escolha dessa data foi em homenagem a Hugh Hammond Bennett, o pai da conservação do solo nos Estados Unidos. Esse dia é dedicado a comemoramos a importância desse fundamental recurso natural em nossa vida e alertamos sobre a necessidade de utilização de práticas conservacionistas quando da sua utilização.

Dia nacional de conservação do solo

Segundo a FAO, 33% dos solos do mundo estão degradados por fluxo, salinização, compactação, acidificação e contaminação. Esses diversos problemas enfrentados pelo uso do solo têm impactado diretamente na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Professores Gasparetto e Gilson Portela

Em comemoração ao Dia Nacional da Conservação do Solo, o IFPI Campus José de Freitas fez um uma vasta programação para comemorar esta importante data. Foram realizadas palestras sobre formação e degradação dos solos e também sobre práticas conservacionistas na agricultura. Além das palestras, foram realizadas práticas utilizando um simulador de erosão e determinação de curvas de nível, utilizando equipamentos que podem ser construídos pelos próprios produtores.

Professor Luiz Carlos

Trata-se de uma data que faz parte do calendário escolar do campus José de Freitas e contou com a coordenação dos professores Gilson Portela, Antônio Galvão, Luiz Carlos e Ewerton Gasparetto, além de alunos da instituição.

Dia nacional de conservação do solo

GILSON PORTELA é docente do IFPI Campus José de Freitas

ALQUIMIA

WILKER MARQUES

notável proeza
transformar dor em beleza

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WILKER MARQUES é professor de Filosofia do IFPI Cocal, advogado e músico. Ele é capaz de comprar um livro só pela beleza da capa, de parar de falar para ouvir uma música, e acredita que tudo o que pode ser dito pode ser dito com beleza.

Ilustração de MARINA MEDEIROS, feita com tinta vegetal extraída de casca de barbatimão, casca de romã e semente de urucum, através de projeto de pesquisa desenvolvido no campus IFPI Cocal.

O LIVRO VAI VENCER

GEICIANE DOS SANTOS SILVA

Meu caro amigo leitor,
venho um recado lhe dar:
vou falar sobre leitura,
pois o ato de estudar
faz brotar um novo mundo
sem sair do seu lugar!

Leitura é primordial
para um bom conviver!
Expande novos olhares,
melhora nosso escrever!
Todo dia tem palavra
diferente pr’aprender!

Livros de todos os gêneros
Seja sério ou brincadeira.
Livros em todos lugares,
Até dentro da banheira!
Não importa o lugar,
Só não queime na fogueira.

Para ler não se precisa
De status social;
Seja rico ou seja pobre,
Todos podem ler igual!
O dinheiro é importante,
Mas ler que é essencial:

Os livros trazem em si
Diversão e pensamento,
Histórias tão diferentes
Que são da alma o alimento!
Seja arte ou teoria,
Lá vive o conhecimento.

Pois não existe limites
Para este povo que lê!
Livros são conhecimento,
Conhecimento é poder.
No Brasil da esperança
Hoje o livro vai vencer!

Há tanta diversidade
Pra leitura não faltar
Livros pra todos os gostos
Da poesia ao prosear
História de todo tipo
E algumas vou lhe citar

Diz uma lenda antiga
Que fala de sherazade
Bela moça que casou -se
Com rei de muita maldade
Mais que com o seu amor
Conquistou sua lealdade

Já diz Olavo Bilac
Em um de seus poemas
Que para compreender
As estrelas não há lema
Basta amar de coração
E fazer valer a pena!

Conta outra história
Do pavão misterioso
De uma máquina que voava
Com um rapaz corajoso
Que fugiu com sua amada
Filha de Conde maldoso

Essas são algumas histórias
Que eu pus a lhe citar
Más há muitos contos
Que tem a se desvendar
E Basta se permitir e
Procurar se aprofundar

Os livros trazem em si
Muito mais do que palavras
Eles trazem sentimentos
Em obras publicadas
Páginas com conhecimento
Que devem ser estudadas

 

Ilustração | Marina Brito

GEICIANE DOS SANTOS SILVA é aluna do segundo ano do curso técnico integrado em Administração do IFPI campus Cocal

 

EMERGÊNCIA CLIMÁTICA

Um cordel de
DANIEL GLAYDSON RIBEIRO
Com ilustrações de
SANZIO MARDEN

Clique para baixar

DANIEL GLAYDSON RIBEIRO acredita na beleza e na fúria das palavras. Inda mais se estas carregam a beleza e a fúria do Nordeste brasileiro num ritmo de sertão, chapada e mar. Mora entre Pio IX, terra do caju, e Cocal, terra do mel, tirando desta mistura a arte da dodiscência.

SANZIO MARDEN trabalha com artes visuais, aplicativos e patrimônio histórico – monta projetos de conservação e preservação do meio ambiente histórico/cultural – já andou pelas bandas de Sobral, São Paulo e Belo Horizonte, onde atuou na arte e educação, deu cursos e oficinas de pintura/ilustração, (expõe e ilustra para adultos e crianças) – Hoje em dia atua em uma startup de saúde mental.

EQUIDADE RACIAL NA ESCOLA PÚBLICA

Realidades e perspectivas nas séries finais do Ensino Fundamental em Cocal-PI

JÚLIA NAELLY MACHADO SILVA
JOÃO VITOR BRITO OLIVEIRA
ELENICE MONTE ALVARENGA

O Brasil possui uma das maiores populações multirraciais do planeta, destacando-se os aspectos étnico-raciais e culturais que são amplamente difundidos de forma plural. Diante disso, verifica-se a necessidade de se promover a equidade racial no território brasileiro e, para isso, a educação assume um papel fundamental na promoção do equânime direito à educação de qualidade e o respeito à diversidade da nação. Levando-se isso em consideração, o Projeto de Extensão “Equidade Racial na Escola Pública: intervenções nas séries finais do Ensino Fundamental em Cocal-PI” objetivou promover ações de sensibilização dos estudantes de 6º a 9º ano e também da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Unidade Escolar Chico Monção em Cocal-PI, a fim de contribuir com a discussão sobre equidade racial.

Para isso, fez-se uma exposição de banner, slides e panfletos informativos, apresentando personalidades afrodescendentes e indígenas, explorando-se os aspectos relativos à equidade racial e também de gênero, de modo a estimular e motivar os estudantes diante das histórias de vida elencadas. Além disso, os alunos redigiram relatos com o auxílio dos professores de Língua Portuguesa, expondo suas visões sobre como eles compreendem o estudo de História e Cultura africana, afro-brasileira e indígena, afetando suas perspectivas, representações, expectativas e trajetórias de vida.

Observou-se que os alunos demonstraram grande interesse, principalmente quando se relacionou aspectos da cultura afro-brasileira, africana e indígenas a aspectos do cotidiano, como alimentos e comidas típicas, danças e plantas medicinais. Houve uma grande interação com os alunos, em que estes relataram o uso de plantas para fazer chás e ainda o consumo de alimentos que tenham essa origem. Além disso, alguns alunos expuseram situações em que sofreram discriminação racial. Já em relação às abordagens sobre as personalidades, observou-se que os alunos ficaram entusiasmados ao verem fotografias dessas pessoas e observarem que indígenas e negros são protagonistas de grandes feitos para a humanidade.

No que se refere aos textos produzidos, os relatos abordaram aspectos relativos à compreensão dos pontos elencados nas atividades do projeto. Por meio da análise dos textos, observou-se que houve entendimento dos alunos acerca da temática explorada. Os estudantes souberam diferenciar os termos “igualdade” de “equidade”, o que se verificou, por exemplo, no relato de um aluno do 6º ano: “a igualdade é quando todos são tratados da mesma forma, e equidade é quando dá oportunidades para quem precisa mais”.

Diante disso, concluiu-se que as atividades do projeto proporcionaram um momento de reflexão no âmbito escolar, em que os alunos puderam identificar a grande diversidade étnico-racial existente no Brasil e verificaram que alguns traços dessas culturas fazem parte do nosso cotidiano, contribuindo para a construção da identidade do povo brasileiro.

JÚLIA NAELLY MACHADO SILVA e JOÃO VITOR BRITO OLIVEIRA são acadêmicos em Licenciatura em Química pelo IFPI campus Cocal. Bolsistas do Programa de Intervenção Comunitária (PROIC – PROEX/IFPI). Integrante do Laboratório de Biologia (LABBIO). E-mails: naelly.machado15@gmail.com \ jvitorcocal@hotmail.com

ELENICE MONTE ALVARENGA Docente no IFPI campus Cocal. Docente do Programa de Pós-graduação em Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (PROFEPT). Integrante do Laboratório de Biologia (LABBIO). E-mail: elenice.alvarenga@ifpi.edu.br